O novo circuito urbano de MotoGP em Adelaida terá 4,13 km, 15 curvas e velocidades de até 343 km/h — substituindo o icônico Phillip Island no calendário.

O MotoGP apresentou neste domingo o desenho oficial do novo circuito urbano que vai receber o Grande Prêmio da Austrália a partir de 2027. O anúncio foi feito com a presença do primeiro-ministro da Austrália Meridional, Peter Malinauskas. O traçado terá 4,13 km de extensão, 15 curvas e será construído no centro de Adelaida, tirando Phillip Island do calendário do campeonato após anos como sede australiana.

Como será o traçado de Adelaida

O circuito recupera setores ligados ao antigo traçado urbano que a Fórmula 1 utilizou na Austrália. Nomes como Stag Corner, Rundle Road, Brewery Bend e Dequetteville Terrace voltam a integrar uma competição internacional, desta vez com as motos do MotoGP.

O percurso é majoritariamente plano, mas o desenho inclui variações de nível. Um dos pontos destacados pela organização é a subida em direção à curva 8, trecho que deve exigir atenção nas referências de frenagem e na entrada em curva.

O traçado combina curvas de velocidade média e baixa com chicanes concentradas na parte final da volta, setor que tende a ser exigente nas mudanças rápidas de direção, característica crítica para motos de alta potência. A zona mais veloz, segundo as simulações do MotoGP, será a reta antes dessas duas chicanes finais, onde as motos poderiam atingir 343 km/h. A volta estimada fica em torno de 1 minuto e 26 segundos, dado que ainda pertence ao campo das simulações, já que o circuito precisa ser construído e validado em pista.

Segurança: o principal desafio do projeto

Levar o MotoGP para um ambiente urbano coloca a questão das escapatórias no centro do debate. Circuitos permanentes oferecem espaços amplos para absorver quedas; ruas de cidade, por natureza, não. O projeto apresentado contempla zonas de cascalho no exterior das 15 curvas, o que indica que as escapatórias foram incorporadas ao desenho desde o início, atendendo às exigências do campeonato e da FIM.

Carlos Ezpeleta, diretor-geral adjunto do MotoGP Group, explicou a abordagem adotada: “Passamos muitos meses trabalhando em estreita colaboração com a FIM e nossos parceiros em Adelaida para projetar um circuito de MotoGP que seja emocionante e, o mais importante, seguro. Estamos incrivelmente orgulhosos do que foi alcançado e confiamos que vai oferecer uma experiência totalmente nova para nossos pilotos, equipes e fãs.”

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Polêmica ambiental e contrato até 2032

A chegada do MotoGP a Adelaida já enfrenta resistência local. O principal ponto de tensão é o impacto sobre os parques da cidade: as estimativas apontam para até 200 árvores afetadas pelas obras. Uma petição contra a realização do Grande Prêmio reuniu 43.000 assinaturas.

O MotoGP afirma que o projeto inclui medidas de proteção das áreas verdes e melhorias nos espaços públicos. Ezpeleta declarou: “Desde o primeiro dia, trabalhamos com as partes interessadas locais para garantir que o circuito gere resultados positivos para a comunidade e o meio ambiente, além de corridas de alto nível.”

O contrato prevê a realização do GP anualmente em Adelaida, inicialmente até 2032, com um orçamento de 96 milhões de dólares. O evento também dividirá o fim de semana com os Supercars, concentrando diferentes competições no mesmo período. Os 343 km/h e o 1m26s estimados permanecem como números de simulação até que as motos girem pela primeira vez nas ruas da cidade.

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Jornalista que desde cedo se apaixonou por velocidade e pelo universo duas rodas. Produzo atualizações sobre lançamentos, comparativos e tendências do setor, sempre com foco em me conectar com o leitor apaixonado por velocidade e por motos. 
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