A chegada da CFMOTO ao mercado brasileiro, com a Ibex 450 esgotando lotes logo nos primeiros meses de vendas, levantou uma pergunta natural: será que a Royal Enfield Himalayan 450, referência do segmento, começaria a perder espaço? Os números da Fenabrave, no entanto, contam uma história mais equilibrada.

O panorama geral de 2026

De janeiro a agosto deste ano, a Himalayan 450 já acumula 5.023 unidades emplacadas, segundo a Fenabrave. Para efeito de comparação, em todo o ano de 2025 ela havia vendido 6.732 motos. Ou seja, a Royal Enfield caminha em ritmo suficiente para repetir ou até superar o desempenho do ano passado, mesmo com a chegada de uma concorrente direta.

Enquanto isso, desde sua estreia, a CFMOTO Ibex 450 soma 1.089 unidades vendidas desde que estreou em maio deste ano. A entidade aponta que foram 19 motos comercializadas em maio e atingiu seu ápice em julho, com 370 emplacamentos. 

Mês a mês: como se comportaram as duas rivais

Olhando a evolução desde a estreia da Ibex 450 na Fenabrave, em maio, o quadro fica ainda mais claro:

Mês CFMoto Ibex 450 Royal Enfield Himalayan 450
Maio 19 663
Junho 332 564
Julho 370 660
Agosto 368 753

O salto da CFMOTO entre maio e junho é natural: qualquer lançamento sai de um volume residual (apenas 19 unidades, típico de um mês de estreia com estoque limitado) para um patamar mais consistente assim que a rede de concessionárias recebe lotes maiores. De junho a julho, a marca chinesa ainda cresceu (+11,4%), mas em agosto praticamente estacionou, com uma leve queda de 0,5% frente ao mês anterior.

Já a Himalayan teve uma trajetória diferente: recuou em junho (-14,9% frente a maio), mas se recuperou com força nos dois meses seguintes, crescendo 17% em julho e mais 14,1% em agosto.

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CFMOTO desbancará a Himalayan?

Um dado que ajuda a entender melhor a disputa é a fatia de mercado que cada modelo ocupa dentro do duelo direto entre as duas motos (desconsiderando outras concorrentes do segmento):

Em junho, a Ibex 450 respondia por cerca de 37% das vendas somadas das duas motos, contra 63% da Himalayan. Em julho, essa fatia já havia recuado para aproximadamente 36%. Em agosto, caiu ainda mais, para cerca de 33%, enquanto a indiana subiu para perto de 67% de participação nesse comparativo direto.

Os números sugerem um cenário de coexistência, não de substituição. A entrada da CFMOTO parece ter ampliado o mercado de motos adventure médias no Brasil,  atraindo compradores que desejavam uma bicilíndrica aventureira, com preço acessível. É um comportamento comum em categorias em expansão: a chegada de um concorrente forte costuma aquecer o segmento como um todo antes de provocar uma disputa direta.