A chegada da CFMOTO ao mercado brasileiro, com a Ibex 450 esgotando lotes logo nos primeiros meses de vendas, levantou uma pergunta natural: será que ela vai tomar o lugar da Royal Enfield Himalayan 450, fazendo com que a então líder do segmento amargue quedas nas vendas? Os números da Fenabrave, no entanto, contam uma história mais equilibrada.
Himalayan 450 vai ‘bem, obrigado’
De janeiro a setembro deste ano, a Himalayan 450 já acumula 5.750 unidades emplacadas, segundo a Fenabrave. Para efeito de comparação, em todo o ano de 2025 ela havia vendido 6.732 motos. Ou seja, a Royal Enfield caminha em ritmo suficiente para repetir ou até superar o desempenho do ano passado, mesmo com a chegada de uma concorrente direta.

Apesar do ótimo desempenho da Ibex, Himalayan 450 está num ritmo superior ao de 2025, quando encerrou o ano como líder do segmento. Isso mostra que uma não irá ‘acabar’ com a outra, mas que existe espaço para as duas (e outras) no setor
Enquanto isso, desde sua estreia, a CFMOTO Ibex 450 soma cerca de 1.100 unidades vendidas desde que estreou em maio deste ano. A entidade aponta que foram 19 motos comercializadas em maio e atingiu seu ápice em julho, com 370 emplacamentos.
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CFMOTO desbancará a Himalayan?
Um dado que ajuda a entender melhor a disputa é a fatia de mercado que cada modelo ocupa dentro do duelo direto entre as duas motos (desconsiderando outras concorrentes do segmento):
Em junho, por exemplo, a Ibex 450 respondia por cerca de 37% das vendas somadas das duas motos, contra 63% da Himalayan. Em julho, essa fatia já havia recuado para aproximadamente 36%. Em agosto, caiu ainda mais, para cerca de 33%, enquanto a indiana subiu para perto de 67% de participação nesse comparativo direto.
Os números sugerem um cenário de coexistência, não de substituição. A entrada da CFMOTO parece ter ampliado o mercado de motos adventure médias no Brasil, atraindo compradores que desejavam uma bicilíndrica aventureira, com preço acessível. É um comportamento comum em categorias em expansão: a chegada de um concorrente forte costuma aquecer o segmento como um todo antes de provocar uma disputa direta.