SUZUKI VX 800cc 1995
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SUZUKI
História e Fundação
Fundada em 1909 por Michio Suzuki na cidade de Hamamatsu, Japão, a Suzuki iniciou suas atividades como fabricante de teares para a indústria têxtil. Foi somente após a Segunda Guerra Mundial, em 1952, que a empresa lançou sua primeira motocicleta, a "Power Free", uma pequena bicicleta motorizada com 36cc que atendia à crescente demanda por transporte acessível no Japão pós-guerra.
Chegada ao Brasil
A Suzuki chegou oficialmente ao Brasil em 1992, embora algumas de suas motos já fossem importadas antes disso por empresas terceirizadas. A entrada formal no mercado brasileiro ocorreu através de uma joint venture com a J.Toledo, que ficou responsável pela importação e distribuição das motocicletas da marca no país. Em 2014, a Suzuki assumiu diretamente o controle de suas operações no Brasil, criando a Suzuki do Brasil Automotores.
Estilo de Motos
A Suzuki se destaca pela diversidade de seu catálogo, fabricando motocicletas em praticamente todos os segmentos:
- Esportivas: A linha GSX-R representa as superbikes da marca
- Naked: Modelos como a GSX-S1000 e a antiga Bandit oferecem potência sem carenagem
- Trail/Adventure: A V-Strom é a representante da marca neste segmento, com versões até 1050cc
- Off-road: A linha DR e a clássica RM-Z para motocross são referências no segmento
- Custom/Cruiser: A linha Boulevard representa as cruisers da marca
- Street/City: Modelos urbanos como a GSX-S150, Gixxer 150 e Burgman (scooter). No Brasil, ainda ofereceu clássicos como a Intruder 125
Modelos Icônicos
Ao longo de sua história, a Suzuki produziu algumas das motocicletas mais emblemáticas e revolucionárias do mercado:
- GSX-R1000: Lançada em 2001, é considerada uma das superbikes mais puras e radicais do mercado, tendo conquistado diversos campeonatos mundiais de Superbike e Endurance
- Hayabusa: Quando foi lançada em 1999, a GSX-1300R Hayabusa quebrou recordes como a moto de produção em série mais rápida do mundo, alcançando mais de 300 km/h
- V-Strom 650: Uma das adventure bikes mais equilibradas e versáteis do mercado, conhecida pela sua confiabilidade
- Bandit: Nas versões 600 e 1200cc, foi uma das naked bikes mais vendidas no Brasil, apreciada por sua versatilidade
- DR650: Um ícone entre as trail bikes, famosa por sua robustez e simplicidade mecânica
Números de Mercado no Brasil
No mercado brasileiro, a Suzuki tem mantido uma presença constante, embora com volumes menores que concorrentes como Honda e Yamaha. Em 2023, a marca emplacou aproximadamente 9.000 motocicletas no Brasil, representando cerca de 0,5% do mercado nacional de duas rodas.
A V-Strom 650 continua sendo o modelo mais vendido da marca no país, especialmente após a nacionalização de sua produção em Manaus, o que permitiu uma redução significativa de preço. O modelo GSX-S750, produzido na fábrica da Suzuki em Manaus desde 2019, também mostrou bons números de vendas - até sua aposentadoria, em 2025
Legado e Tecnologia
A Suzuki consolidou seu nome no motociclismo mundial não apenas por suas motos de rua, mas também por suas conquistas nas pistas. A marca acumula diversos títulos no MotoGP, incluindo campeonatos conquistados por lendas como Kevin Schwantz, Kenny Roberts Jr. e Joan Mir em 2020.
Tecnologicamente, a Suzuki foi pioneira em diversos aspectos. Foi uma das primeiras a implementar sistemas de injeção eletrônica em motocicletas esportivas e desenvolveu o revolucionário sistema SRAD (Suzuki Ram Air Direct), que aumenta a potência do motor em altas velocidades através da pressurização da admissão de ar.
O sistema de controle de tração S-DMS (Suzuki Drive Mode Selector), presente em modelos como a GSX-R1000 e V-Strom 1050, permite ao piloto escolher diferentes modos de pilotagem, adaptando a entrega de potência às condições da pista ou estrada.
Perspectivas Futuras
A Suzuki tem investido em tecnologias de eletrificação, apresentando protótipos de scooters elétricas em feiras internacionais. No Brasil, a marca busca ampliar sua rede de concessionárias e fortalecer seu posicionamento no segmento de média e alta cilindrada, onde possui modelos competitivos.
A estratégia atual da Suzuki no Brasil inclui a ampliação da produção nacional em sua fábrica de Manaus, o que permite preços mais competitivos através dos incentivos fiscais da Zona Franca, além de facilitar o acesso a financiamentos pelo BNDES.
Com mais de 110 anos de história e 70 anos de experiência na produção de motocicletas, a Suzuki continua sendo uma marca que combina tradição, inovação tecnológica e performance, oferecendo produtos que atendem desde o motociclista iniciante até o mais exigente entusiasta de duas rodas.
Suzuki VX 800cc
A Suzuki VX 800cc representa um capítulo interessante na história das motocicletas naked de média cilindrada, combinando a robustez de um motor V-twin com um design clássico e atemporal. Produzida entre 1990 e 1997, esta moto conquistou admiradores por sua versatilidade e caráter multifuncional, atendendo tanto motociclistas experientes em busca de uma máquina confiável para o dia a dia quanto entusiastas que apreciavam um modelo com personalidade única para passeios de fim de semana.
Design e Categoria
Pertencente à categoria naked (ou standard, como era conhecida na época), a VX 800 apresentava um design limpo e minimalista, com seu motor V-twin exposto como elemento central da estética. Suas linhas retas e proporções equilibradas refletiam a filosofia de design dos anos 90, privilegiando a funcionalidade sem abrir mão de um visual atraente. Lançada primeiramente no mercado global em 1990 e posteriormente chegando a diversos países, incluindo o Brasil, a VX 800 estabeleceu-se como uma alternativa acessível para quem buscava uma moto de média cilindrada com caráter distinto das opções japonesas mais comuns da época.
Motor e Desempenho
O coração da VX 800 é um motor V-twin de 805cc, refrigerado a líquido, com ângulo de 45° entre os cilindros, configuração que garante um balanço natural de vibrações e um característico ronco grave. Este propulsor gerava aproximadamente 61 cavalos de potência a 7.000 rpm e um torque de 6,9 kgf.m a 5.500 rpm. Na prática, esses números se traduziam em uma entrega de potência linear e previsível, com um torque generoso disponível desde baixas rotações - característica que tornava a pilotagem urbana e em estradas sinuosas particularmente prazerosa. O motor V-twin proporcionava uma resposta imediata ao acelerador, sem os picos de potência mais abruptos típicos dos tetracilíndricos da época, criando uma experiência de pilotagem mais intuitiva e menos fatigante em longos percursos.
Chassi e Ciclística
A VX 800 foi construída sobre um chassi tubular de aço, oferecendo um equilíbrio satisfatório entre rigidez e flexibilidade. A suspensão dianteira contava com garfos telescópicos convencionais com 140mm de curso, enquanto na traseira um sistema de duplo amortecedor com 130mm de curso fazia o trabalho de absorção. Essa configuração mais tradicional proporcionava uma pilotagem previsível e estável, especialmente em velocidades de cruzeiro. O sistema de freios combinava um disco simples de 310mm na dianteira, acionado por pinça de dois pistões, e um disco de 240mm na traseira. Embora simples para os padrões atuais, o conjunto de freios oferecia modulação adequada para a época e o peso de aproximadamente 230 kg da motocicleta. A posição de pilotagem era naturalmente ereta, com um assento amplo posicionado a 800mm do solo, permitindo que tanto pilotos de baixa quanto de alta estatura encontrassem conforto, característica que ajudou a popularizar o modelo entre motociclistas de diferentes perfis.
Curiosidades e Pontos de Destaque
Um dos aspectos mais interessantes da Suzuki VX 800 foi seu posicionamento como uma das primeiras tentativas da indústria japonesa de criar uma moto com o apelo e o caráter dos modelos V-twin americanos, mas com a confiabilidade e o custo mais acessível das motos asiáticas. Essa abordagem criou um nicho especial para o modelo, que é considerado por muitos como um precursor do que viria a ser o segmento das sport-cruisers. Outro ponto de destaque era o tanque de combustível com capacidade para 17 litros, que combinado com o consumo relativamente moderado do motor V-twin, garantia uma autonomia respeitável para viagens. O painel de instrumentos, embora simples, oferecia as informações essenciais de forma clara, com velocímetro e tacômetro analógicos complementados por luzes indicadoras para neutro, pressão de óleo e nível de combustível. Curiosamente, a VX 800 nunca recebeu grandes atualizações durante seu ciclo de vida, permanecendo essencialmente a mesma moto do lançamento até sua descontinuação, fato que contribuiu para sua condição de modelo cult entre colecionadores e entusiastas de motos dos anos 90.