AGRALE JUNIOR 50 1996

Código Fipe: 801012-9
Ano do Modelo:
FIPE
R$ 952,00
Valor do modelo segundo a tabela FIPE
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AGRALE

História e Fundação

Fundada em 1962 na cidade de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, a Agrale é uma empresa genuinamente brasileira que faz parte do Grupo Francisco Stedile. Inicialmente chamada de Indústria Gaúcha de Implementos Agrícolas (IGASA), a empresa assumiu o nome Agrale S.A. em 1965, destacando-se como uma das poucas fabricantes de veículos com capital 100% nacional.

Entrada no Mercado de Motocicletas

A Agrale iniciou sua produção de motocicletas em 1982, quando adquiriu as instalações, ferramental e tecnologia da empresa alemã Bücker & Co, que fabricava as motocicletas da marca Kasinski no Brasil. Esta aquisição marcou a entrada oficial da Agrale no competitivo mercado brasileiro de duas rodas.

Estilo de Motos

A Agrale se especializou na produção de motocicletas de pequena e média cilindrada, com foco em:

  • Motocicletas on/off-road (trail)
  • Motocicletas utilitárias de baixa cilindrada
  • Motos de trabalho e entrega
  • Veículos para uso militar e policial

Modelos Icônicos

Ao longo de sua trajetória no segmento de duas rodas, a Agrale produziu alguns modelos que se tornaram referência no mercado brasileiro:

  • Agrale Elefant 16.5: Uma das primeiras motocicletas produzidas pela marca, que se destacou pela robustez e facilidade de manutenção.
  • Agrale SST: Modelo trail de 125cc e 27.5cc que marcou presença no mercado nos anos 80 e 90.
  • Agrale Dakar: Inspirada nas competições de rally, foi uma das motos mais emblemáticas da marca.
  • Agrale SXT: Modelo off-road que conquistou admiradores pelo seu desempenho fora de estrada.
  • Agrale Explorer: Linha mais moderna que apresentou inovações para o mercado nacional.

Transição e Foco Atual

Embora tenha sido uma importante fabricante de motocicletas nas décadas de 80 e 90, a Agrale redirecionou seu foco de produção para outros segmentos a partir dos anos 2000. A empresa gradualmente abandonou a fabricação de motocicletas para concentrar esforços nos setores de:

  • Tratores agrícolas
  • Caminhões leves e médios
  • Chassis para ônibus
  • Motores a diesel

Mercado e Presença Atual

Atualmente, a Agrale não compete mais no mercado de motocicletas, tendo encerrado a produção desses veículos há alguns anos. A empresa direcionou seus investimentos para os segmentos onde possuía maior competitividade, como o de veículos comerciais leves, médios e tratores.

No auge de sua produção de motocicletas, a Agrale chegou a fabricar cerca de 50 mil unidades por ano, mas com a crescente concorrência das marcas japonesas e, posteriormente, das marcas chinesas que entraram no mercado brasileiro com preços competitivos, a empresa optou por descontinuar esta linha de produtos.

Legado no Mundo das Duas Rodas

Apesar de não produzir mais motocicletas, a Agrale deixou um legado importante no desenvolvimento da indústria brasileira de duas rodas. Foi uma das pioneiras na nacionalização de componentes e no desenvolvimento de tecnologia própria para motocicletas.

As motos Agrale são lembradas até hoje por sua simplicidade mecânica, robustez e facilidade de manutenção - características que as tornaram populares especialmente em regiões do interior do Brasil, onde a durabilidade e a resistência eram atributos extremamente valorizados.

Curiosidades

Um fato interessante é que muitos dos modelos Agrale utilizavam motores Cagiva e, posteriormente, Rotax, fruto de parcerias tecnológicas com fabricantes europeus. Esta estratégia permitiu à empresa oferecer produtos com qualidade comparável às concorrentes internacionais, mas mantendo características adaptadas ao mercado brasileiro.

A Agrale também teve participação em competições off-road nacionais, especialmente com os modelos SXT e Dakar, que ganharam notoriedade no cenário do motociclismo esportivo brasileiro nos anos 80 e 90.

Embora não seja mais uma player ativo no setor de motocicletas, a Agrale continua sendo um importante símbolo da indústria automotiva nacional, representando a capacidade brasileira de desenvolver e produzir veículos com tecnologia própria.

AGRALE JUNIOR 50

A AGRALE JUNIOR 50 representa um importante capítulo na história das motocicletas brasileiras, sendo um modelo icônico que marcou gerações. Desenvolvida para atender as necessidades de um público que buscava economia, praticidade e baixo custo de manutenção, esta pequena moto de baixa cilindrada conquistou seu espaço como a primeira experiência sobre duas rodas para muitos brasileiros, além de ser amplamente utilizada para entregas e deslocamentos curtos em áreas urbanas.

Design e Categoria

Pertencente à categoria Cub/Ciclomotor, a JUNIOR 50 apresenta um design simples e funcional, característico das motos utilitárias dos anos 80 e 90. Com linhas retas e sem grandes adornos estéticos, sua construção prioriza a funcionalidade e a robustez. Lançada originalmente no Brasil na década de 1980 pela AGRALE, fabricante nacional de veículos, a pequena moto trazia um visual despojado com seu tanque de combustível compacto, assento longo e plano capaz de acomodar passageiro, e um porta-bagagens traseiro que ampliava sua versatilidade no dia a dia. Sua estrutura aparente, sem carenagens excessivas, revelava a proposta minimalista e durável que fez sucesso especialmente em regiões interioranas do país.

Motor e Desempenho

O coração da JUNIOR 50 é um motor monocilíndrico de 50 centímetros cúbicos, dois tempos, refrigerado a ar. Apesar da baixa cilindrada, este propulsor se destacava pela simplicidade mecânica e pela durabilidade, características essenciais para um veículo de uso cotidiano. Com potência aproximada de 3,5 cavalos, o pequeno motor permitia que a moto alcançasse velocidades em torno de 60 km/h, suficiente para o trânsito urbano da época. O sistema de transmissão contava com câmbio de 3 ou 4 marchas (dependendo da versão) operado por pedal, exigindo a coordenação entre embreagem e troca de marchas, o que tornava a pilotagem uma experiência mais mecânica e envolvente. Na prática, a JUNIOR 50 se destacava pela economia impressionante de combustível, chegando a fazer mais de 40 km com apenas um litro, um diferencial importante em tempos de crises de combustíveis e para usuários de baixo poder aquisitivo.

Chassi e Ciclística

Construída sobre um chassi tubular de aço, a JUNIOR 50 apresentava uma estrutura simples, mas eficiente para seu propósito. A suspensão dianteira utilizava garfos telescópicos convencionais com curso limitado, enquanto na traseira dois amortecedores faziam o trabalho de absorção de impactos. Este conjunto, embora básico, oferecia equilíbrio suficiente entre conforto e estabilidade para o uso urbano. Os freios eram do tipo tambor tanto na roda dianteira quanto na traseira, exigindo certa antecipação do piloto em situações de frenagem, mas se mostravam adequados considerando o peso leve da motocicleta (aproximadamente 80 kg) e suas limitações de velocidade. As rodas de 17 polegadas com pneus estreitos contribuíam para a agilidade no tráfego urbano, permitindo manobras fáceis entre carros e em espaços apertados.

Curiosidades e Pontos de Destaque

Um dos aspectos mais notáveis da AGRALE JUNIOR 50 era sua incrível facilidade de manutenção. Praticamente qualquer mecânico, mesmo sem treinamento específico, conseguia fazer reparos e ajustes no motor dois tempos, o que a tornava extremamente popular em pequenas cidades do interior brasileiro. Outro ponto interessante é que muitos modelos vinham equipados com pedais auxiliares, permitindo ao condutor "pedalar" em casos de pane ou para economizar combustível em subidas, um recurso que reforçava sua versatilidade. A JUNIOR foi também uma das primeiras experiências da indústria brasileira na produção em larga escala de motocicletas de baixa cilindrada, ajudando a estabelecer o know-how nacional no setor. Seu sistema de partida combinava opções elétricas e a tradicional alavanca de kick, garantindo que o usuário nunca ficasse na mão. Por sua simplicidade, robustez e longevidade, a JUNIOR 50 transformou-se em um objeto de colecionador nos dias atuais, com exemplares restaurados sendo valorizados por entusiastas que reconhecem sua importância histórica no desenvolvimento da cultura motociclística nacional.

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