Gigi Dall’Igna, diretor-geral da Ducati Corse, revelou que defendeu a inclusão de um motor híbrido na Desmosedici para o ciclo regulamentar de 2027 da MotoGP. A proposta foi descartada pelos fabricantes assim que os cálculos financeiros chegaram à mesa: o custo de desenvolvimento inviabilizou o projeto.
A proposta que não sobreviveu ao orçamento
Dall’Igna confirmou que, no início das discussões sobre o novo regulamento, insistiu na adoção de um pequeno motor elétrico acoplado à moto. O argumento era técnico: a hibridização obrigaria as equipes a mais criatividade e traria aprendizado valioso para a engenharia. Do ponto de vista financeiro, porém, a conta não fechou.
O restante da grelha também não estava disposto a assumir esse custo adicional. A decisão veio em um momento em que o paddock da MotoGP optou por simplificar, e não por acrescentar complexidade. A disposição de Dall’Igna em defender a ideia mesmo assim revela a forma como a Ducati aborda os desafios técnicos.
Um regulamento que recomeça do zero
Mesmo sem o motor elétrico, o pacote de mudanças para 2027 é extenso. A cilindrada cai de 1000cc para 850cc. Os dispositivos de holeshot e de altura variável são banidos. Os limites aerodinâmicos ficam mais restritos. E a Michelin, fornecedora histórica de pneus, dá lugar à Pirelli.
Para os departamentos técnicos, o conjunto dessas mudanças equivale a um projeto inteiramente novo. Segundo Dall’Igna, pouco do hardware atual da Desmosedici sobreviverá à transição, e isso mesmo considerando que a moto foi a referência da categoria nos últimos anos, com quatro títulos de pilotos consecutivos: Francesco Bagnaia em 2022 e 2023, Jorge Martín em 2024 e Marc Márquez em 2025.
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O que transita é o conhecimento
Dall’Igna foi direto ao distinguir o que permanece do que fica para trás. Os componentes físicos aproveitáveis serão poucos. O que efetivamente passa para o novo projeto é o conhecimento acumulado pelas equipes ao longo dos anos de desenvolvimento com a fórmula atual.
Para o diretor da Ducati Corse, esse recomeço é a parte mais estimulante do trabalho. Começar de uma folha em branco, nas palavras dele, é o melhor brinquedo que um engenheiro pode ter. Um teste privado com protótipos de 850cc está previsto para o próximo mês, na Áustria, e será a primeira validação de hardware sob o novo regulamento.