A Volkswagen está estudando a venda da Ducati como parte de um amplo processo de reestruturação que prevê reduzir em um terço o portfólio de empresas e participações do grupo. Segundo a agência Bloomberg, a fabricante italiana de motocicletas está entre os 600 negócios em avaliação dentro do conglomerado alemão, que reúne cerca de 2.000 operações ao todo.

A possibilidade foi confirmada por Gernot Döllner, CEO da Audi, marca responsável pela Ducati dentro da estrutura do grupo. O executivo afirmou que a fabricante de motocicletas integra o processo de revisão do portfólio, mas fez questão de ressaltar “nada foi decidido” até o momento. De acordo com estimativa a italiana pode alcançar um valor de mercado de R$ 7,4 bilhões em uma eventual negociação.
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Vendas da Ducati em queda
No ano passado, a Ducati entregou 50.895 motocicletas em todo o mundo, número 7% menor em relação ao período anterior. A Multistrada foi o modelo mais vendido da marca, com 13.873 unidades emplacadas, seguida pela linha Panigale, com 10.606 exemplares, e pela Scrambler, com 5.814 unidades.

Em 2025, a empresa registrou receita de € 925 milhões (aproximadamente R$ 5,4 bilhões em conversão direta) e lucro operacional de € 52 milhões (cerca de R$ 308 milhões). Esses números representam uma margem operacional de aproximadamente 5,6%, patamar considerado insuficiente diante da meta de 9% estabelecida por Oliver Blume, CEO da Volkswagen, para todo o conglomerado até 2030.
A Ducati vende atualmente cerca de 50 mil motocicletas por ano. Em 2025, a empresa registrou receita de € 925 milhões (aproximadamente R$ 5,4 bilhões em conversão direta) e lucro operacional de € 52 milhões (cerca de R$ 308 milhões). Esses números representam uma margem operacional de aproximadamente 5,6%, patamar considerado insuficiente diante da meta de 9% estabelecida por Oliver Blume, CEO da Volkswagen, para todo o conglomerado até 2030.
Reestruturação em curso
A discussão sobre o futuro da Ducati surge após o conselho de supervisão da Volkswagen aprovar um pacote severo de reestruturação, que prevê a redução de negócios e participações consideradas não estratégicas. O objetivo declarado da montadora é se tornar mais competitiva e adotar uma estrutura mais enxuta.
Uma das medidas já concretizadas nesse movimento foi o acordo firmado em junho para a venda de 51% da Everllence, divisão de motores para navios do grupo. Segundo a Bloomberg, essa operação deve gerar cerca de € 7,4 bilhões aos cofres da Volkswagen.

Não é a primeira vez
Comprada pela Audi em 2012, a Ducati já havia passado por um processo semelhante em 2017, quando a Volkswagen chegou a estudar se desfazer da marca. Na época, porém, o plano foi abandonado diante da oposição de representantes dos trabalhadores alemães.
Desde então, a fabricante de Bolonha ampliou consideravelmente sua presença nas competições, conquistando seis títulos consecutivos de construtores na MotoGP a partir de 2020. O desempenho nas pistas, somado à fiel base de fãs conhecida como “Ducatisti”, confere à empresa um apelo que a Bloomberg compara ao da Ferrari no universo automotivo. Ainda assim, esse prestígio não tem sido suficiente para blindá-la da revisão de negócios promovida pelo grupo alemão.
