
AGRALE DAKAR 50 2000


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AGRALE
História e Fundação
Fundada em 1962 na cidade de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, a Agrale é uma empresa genuinamente brasileira que faz parte do Grupo Francisco Stedile. Inicialmente chamada de Indústria Gaúcha de Implementos Agrícolas (IGASA), a empresa assumiu o nome Agrale S.A. em 1965, destacando-se como uma das poucas fabricantes de veículos com capital 100% nacional.
Entrada no Mercado de Motocicletas
A Agrale iniciou sua produção de motocicletas em 1982, quando adquiriu as instalações, ferramental e tecnologia da empresa alemã Bücker & Co, que fabricava as motocicletas da marca Kasinski no Brasil. Esta aquisição marcou a entrada oficial da Agrale no competitivo mercado brasileiro de duas rodas.
Estilo de Motos
A Agrale se especializou na produção de motocicletas de pequena e média cilindrada, com foco em:
- Motocicletas on/off-road (trail)
- Motocicletas utilitárias de baixa cilindrada
- Motos de trabalho e entrega
- Veículos para uso militar e policial
Modelos Icônicos
Ao longo de sua trajetória no segmento de duas rodas, a Agrale produziu alguns modelos que se tornaram referência no mercado brasileiro:
- Agrale Elefant 16.5: Uma das primeiras motocicletas produzidas pela marca, que se destacou pela robustez e facilidade de manutenção.
- Agrale SST: Modelo trail de 125cc e 27.5cc que marcou presença no mercado nos anos 80 e 90.
- Agrale Dakar: Inspirada nas competições de rally, foi uma das motos mais emblemáticas da marca.
- Agrale SXT: Modelo off-road que conquistou admiradores pelo seu desempenho fora de estrada.
- Agrale Explorer: Linha mais moderna que apresentou inovações para o mercado nacional.
Transição e Foco Atual
Embora tenha sido uma importante fabricante de motocicletas nas décadas de 80 e 90, a Agrale redirecionou seu foco de produção para outros segmentos a partir dos anos 2000. A empresa gradualmente abandonou a fabricação de motocicletas para concentrar esforços nos setores de:
- Tratores agrícolas
- Caminhões leves e médios
- Chassis para ônibus
- Motores a diesel
Mercado e Presença Atual
Atualmente, a Agrale não compete mais no mercado de motocicletas, tendo encerrado a produção desses veículos há alguns anos. A empresa direcionou seus investimentos para os segmentos onde possuía maior competitividade, como o de veículos comerciais leves, médios e tratores.
No auge de sua produção de motocicletas, a Agrale chegou a fabricar cerca de 50 mil unidades por ano, mas com a crescente concorrência das marcas japonesas e, posteriormente, das marcas chinesas que entraram no mercado brasileiro com preços competitivos, a empresa optou por descontinuar esta linha de produtos.
Legado no Mundo das Duas Rodas
Apesar de não produzir mais motocicletas, a Agrale deixou um legado importante no desenvolvimento da indústria brasileira de duas rodas. Foi uma das pioneiras na nacionalização de componentes e no desenvolvimento de tecnologia própria para motocicletas.
As motos Agrale são lembradas até hoje por sua simplicidade mecânica, robustez e facilidade de manutenção - características que as tornaram populares especialmente em regiões do interior do Brasil, onde a durabilidade e a resistência eram atributos extremamente valorizados.
Curiosidades
Um fato interessante é que muitos dos modelos Agrale utilizavam motores Cagiva e, posteriormente, Rotax, fruto de parcerias tecnológicas com fabricantes europeus. Esta estratégia permitiu à empresa oferecer produtos com qualidade comparável às concorrentes internacionais, mas mantendo características adaptadas ao mercado brasileiro.
A Agrale também teve participação em competições off-road nacionais, especialmente com os modelos SXT e Dakar, que ganharam notoriedade no cenário do motociclismo esportivo brasileiro nos anos 80 e 90.
Embora não seja mais uma player ativo no setor de motocicletas, a Agrale continua sendo um importante símbolo da indústria automotiva nacional, representando a capacidade brasileira de desenvolver e produzir veículos com tecnologia própria.
AGRALE DAKAR 50
A AGRALE DAKAR 50 representa um marco na história das motocicletas leves brasileiras, posicionando-se como uma trail compacta que introduziu muitos jovens ao mundo das duas rodas. Desenvolvida pela AGRALE, tradicional fabricante gaúcha, esta pequena moto combinava a simplicidade mecânica com a robustez necessária para enfrentar diversos tipos de terreno, tornando-se uma opção acessível para iniciantes e entusiastas que buscavam versatilidade em um pacote econômico e de fácil manutenção.
Design e Categoria
Pertencente à categoria trail, a DAKAR 50 apresentava um visual inspirado nas motocicletas de rally, como sugere seu nome que homenageia o lendário Rally Paris-Dakar. Com linhas simples e funcionais, a pequena AGRALE exibia uma carenagem frontal compacta, tanque de combustível alongado e para-lama elevado, características típicas das motos off-road. Produzida no Brasil durante as décadas de 1980 e 1990, a DAKAR 50 se destacava por seu assento único e longo, suspensão com curso elevado e a postura ereta de pilotagem, ideal tanto para o uso urbano quanto para trilhas leves.
Motor e Desempenho
O coração da DAKAR 50 era um motor monocilíndrico de 50cc de cilindrada, de dois tempos, refrigerado a ar. Este propulsor, apesar da modesta cilindrada, oferecia um desempenho animado para sua categoria, com uma potência em torno de 5 cavalos, suficiente para atingir velocidades próximas aos 70 km/h. A transmissão manual de 4 marchas exigia que o piloto desenvolvesse habilidade no controle da embreagem, tornando-a uma excelente escola para motociclistas iniciantes. Na prática, seu motor leve proporcionava agilidade surpreendente no trânsito urbano, enquanto o torque disponível em baixas rotações facilitava a condução em terrenos irregulares e pequenas subidas.
Chassi e Ciclística
Construída sobre um chassi tubular simples mas resistente, a DAKAR 50 apresentava uma geometria pensada para oferecer estabilidade e controle em diferentes condições. A suspensão dianteira contava com garfos telescópicos convencionais com curso generoso, enquanto na traseira um sistema de duplo amortecedor proporcionava conforto e capacidade de absorção de impactos. O conjunto de rodas raiadas (geralmente 19 polegadas na dianteira e 17 na traseira) contribuía para a resistência em terrenos acidentados e facilitava reparos em situações de emergência. O sistema de freios, embora básico, com tambor tanto na roda dianteira quanto na traseira, cumpria adequadamente sua função considerando o peso leve da motocicleta e sua velocidade máxima.
Curiosidades e Pontos de Destaque
Um aspecto notável da AGRALE DAKAR 50 era seu baixo consumo de combustível, característica valorizada em uma época de instabilidade econômica no Brasil. Com um tanque de aproximadamente 8 litros, era possível percorrer mais de 300 km, tornando-a uma opção econômica para deslocamentos diários. Outra característica interessante era a simplicidade mecânica, que permitia manutenções caseiras e contribuía para a longevidade do modelo. Muitas unidades permanecem em funcionamento até hoje, décadas após sua fabricação, comprovando a qualidade da construção. A DAKAR 50 também ficou conhecida por sua versatilidade, sendo utilizada desde entregas comerciais em pequenas cidades até como primeira moto para adolescentes em áreas rurais, ajudando a construir uma cultura motociclística no interior do Brasil. Sua produção foi descontinuada com a abertura do mercado brasileiro na década de 1990, mas o modelo mantém um grupo fiel de entusiastas e colecionadores que preservam esse pedaço importante da história das duas rodas nacionais.




