
AGRALE CITY 90 1999


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AGRALE
História e Fundação
Fundada em 1962 na cidade de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, a Agrale é uma empresa genuinamente brasileira que faz parte do Grupo Francisco Stedile. Inicialmente chamada de Indústria Gaúcha de Implementos Agrícolas (IGASA), a empresa assumiu o nome Agrale S.A. em 1965, destacando-se como uma das poucas fabricantes de veículos com capital 100% nacional.
Entrada no Mercado de Motocicletas
A Agrale iniciou sua produção de motocicletas em 1982, quando adquiriu as instalações, ferramental e tecnologia da empresa alemã Bücker & Co, que fabricava as motocicletas da marca Kasinski no Brasil. Esta aquisição marcou a entrada oficial da Agrale no competitivo mercado brasileiro de duas rodas.
Estilo de Motos
A Agrale se especializou na produção de motocicletas de pequena e média cilindrada, com foco em:
- Motocicletas on/off-road (trail)
- Motocicletas utilitárias de baixa cilindrada
- Motos de trabalho e entrega
- Veículos para uso militar e policial
Modelos Icônicos
Ao longo de sua trajetória no segmento de duas rodas, a Agrale produziu alguns modelos que se tornaram referência no mercado brasileiro:
- Agrale Elefant 16.5: Uma das primeiras motocicletas produzidas pela marca, que se destacou pela robustez e facilidade de manutenção.
- Agrale SST: Modelo trail de 125cc e 27.5cc que marcou presença no mercado nos anos 80 e 90.
- Agrale Dakar: Inspirada nas competições de rally, foi uma das motos mais emblemáticas da marca.
- Agrale SXT: Modelo off-road que conquistou admiradores pelo seu desempenho fora de estrada.
- Agrale Explorer: Linha mais moderna que apresentou inovações para o mercado nacional.
Transição e Foco Atual
Embora tenha sido uma importante fabricante de motocicletas nas décadas de 80 e 90, a Agrale redirecionou seu foco de produção para outros segmentos a partir dos anos 2000. A empresa gradualmente abandonou a fabricação de motocicletas para concentrar esforços nos setores de:
- Tratores agrícolas
- Caminhões leves e médios
- Chassis para ônibus
- Motores a diesel
Mercado e Presença Atual
Atualmente, a Agrale não compete mais no mercado de motocicletas, tendo encerrado a produção desses veículos há alguns anos. A empresa direcionou seus investimentos para os segmentos onde possuía maior competitividade, como o de veículos comerciais leves, médios e tratores.
No auge de sua produção de motocicletas, a Agrale chegou a fabricar cerca de 50 mil unidades por ano, mas com a crescente concorrência das marcas japonesas e, posteriormente, das marcas chinesas que entraram no mercado brasileiro com preços competitivos, a empresa optou por descontinuar esta linha de produtos.
Legado no Mundo das Duas Rodas
Apesar de não produzir mais motocicletas, a Agrale deixou um legado importante no desenvolvimento da indústria brasileira de duas rodas. Foi uma das pioneiras na nacionalização de componentes e no desenvolvimento de tecnologia própria para motocicletas.
As motos Agrale são lembradas até hoje por sua simplicidade mecânica, robustez e facilidade de manutenção - características que as tornaram populares especialmente em regiões do interior do Brasil, onde a durabilidade e a resistência eram atributos extremamente valorizados.
Curiosidades
Um fato interessante é que muitos dos modelos Agrale utilizavam motores Cagiva e, posteriormente, Rotax, fruto de parcerias tecnológicas com fabricantes europeus. Esta estratégia permitiu à empresa oferecer produtos com qualidade comparável às concorrentes internacionais, mas mantendo características adaptadas ao mercado brasileiro.
A Agrale também teve participação em competições off-road nacionais, especialmente com os modelos SXT e Dakar, que ganharam notoriedade no cenário do motociclismo esportivo brasileiro nos anos 80 e 90.
Embora não seja mais uma player ativo no setor de motocicletas, a Agrale continua sendo um importante símbolo da indústria automotiva nacional, representando a capacidade brasileira de desenvolver e produzir veículos com tecnologia própria.
AGRALE City 90
A AGRALE City 90 representa um capítulo importante na história das motocicletas nacionais, posicionando-se como uma opção genuinamente brasileira para mobilidade urbana. Desenvolvida pela AGRALE, fabricante gaúcha que se destacou no mercado de duas rodas entre os anos 1980 e 1990, esta pequena motocicleta foi projetada para atender às necessidades do trabalhador brasileiro que buscava economia, simplicidade e robustez para enfrentar o trânsito das cidades em expansão no país.
Design e Categoria
Pertencente à categoria de motocicletas urbanas (street), a City 90 apresentava um design funcional e sem excessos, típico das motos utilitárias de sua época. Com linhas retas, estrutura exposta e aparência compacta, o modelo trazia um visual despretensioso que refletia sua proposta de ser uma ferramenta de trabalho e locomoção diária. Lançada no mercado brasileiro durante os anos 1980, a moto se destacava pela simplicidade e facilidade de manutenção, características muito valorizadas em um período em que as peças importadas eram caras e de difícil acesso.
Motor e Desempenho
O coração da City 90 era um motor monocilíndrico de dois tempos com 90 centímetros cúbicos de capacidade. Apesar da modesta cilindrada, o propulsor se mostrava suficiente para o uso urbano, oferecendo uma potência aproximada de 7 cavalos, adequada para o deslocamento no trânsito das cidades brasileiras. A simplicidade do motor de dois tempos garantia uma manutenção descomplicada e acessível, enquanto o sistema de mistura de óleo e gasolina, característico desta tecnologia, demandava atenção constante do proprietário. Na prática, a pequena City entregava agilidade para o trânsito urbano e economia de combustível, com uma velocidade máxima que girava em torno dos 80 km/h – mais que suficiente para sua proposta de uso.
Chassi e Ciclística
Construída sobre um chassi tubular simples e resistente, a City 90 apostava na durabilidade como diferencial. A suspensão dianteira utilizava garfos telescópicos convencionais com curso limitado, enquanto a traseira contava com um par de amortecedores que, apesar de básicos, cumpriam bem seu papel no ambiente urbano para o qual a moto foi projetada. O sistema de freios seguia a mesma linha de simplicidade funcional: tambor na dianteira e na traseira, uma solução econômica e de fácil manutenção, ainda que menos eficiente que os sistemas a disco que equipavam motos de categorias superiores. Com peso reduzido, a ciclística da City 90 favorecia a agilidade no trânsito, permitindo manobras fáceis entre carros e em espaços apertados.
Curiosidades e Pontos de Destaque
Um dos aspectos mais interessantes da AGRALE City 90 era sua nacionalização quase completa, em uma época em que o Brasil vivia sob forte protecionismo industrial. A moto utilizava componentes fabricados no país, o que a tornava acessível e de manutenção simplificada. Outro destaque era sua robustez, característica que conquistou principalmente os profissionais que utilizavam a motocicleta como ferramenta de trabalho, como entregadores e mensageiros urbanos. A economia de combustível também merece menção – em tempos de crises de petróleo e inflação galopante, o baixo consumo da City 90 representava uma vantagem competitiva significativa. A simplicidade do painel, com apenas velocímetro e luzes indicadoras básicas, refletia a proposta minimalista e funcional da moto. Embora hoje seja considerada uma relíquia nostálgica, a City 90 cumpriu um papel fundamental na motorização popular brasileira, sendo para muitos a porta de entrada no mundo das duas rodas em um período de acesso limitado a veículos motorizados.




