Uma Kawasaki Ninja ZX-6R 636 de 2004, batizada de Débora, acumulou mais de 250.000 km, cruzou mais de 90 países em quatro continentes e, em 2025, afundou no Caribe durante o transporte por barco. Dois dias depois de ir ao fundo do oceano, foi resgatada e colocada novamente em funcionamento. O piloto é Toni Moles, espanhol de Benicarló, conhecido nas redes sociais como Toninja.
Uma supersport que virou moto de expedição
A relação de Toni com as viagens de moto começou cedo: aos 17 anos, comprou uma Yamaha YZF-R125 e foi sozinho até os Alpes franceses visitar a irmã. Dois anos depois, adquiriu a Kawasaki ZX-6R 636 modelo 2004, a mesma que usa até hoje. A partir daí, a Ninja deixou de ser apenas uma esportiva de rua.
A moto foi progressivamente adaptada para suportar longas distâncias com bagagem. A modificação mais marcante foi a adoção de pneus Continental TKC80, com tacos, uma escolha típica de motos trail ou adventure, não de uma supersport de média cilindrada. Com essa configuração, a ZX-6R passou por Dakar, África do Sul, Quênia, Irã, Paquistão e Sudeste Asiático, além de participar do Krystall Rally, na Noruega, com pneus cravejados para encarar neve e gelo.
A história chama atenção justamente pelo contraste: a ZX-6R foi projetada para circuitos e estradas rápidas, não para areia, lama ou travessias de fronteira em países remotos. A preparação foi uma resposta prática às condições do caminho, sem qualquer projeto prévio de exibição.
O naufrágio da ‘Débora’ no Caribe
Em 2024, com 174.000 km rodados e 81 países visitados, Toni planejava avançar pela América Central e cruzar o Darién para chegar ao Panamá. O trecho exige transporte marítimo, a selva fechada impede qualquer passagem por terra.
Foi nessa etapa que ocorreu o episódio mais extremo de toda a viagem. Em 2025, o barco que transportava a Débora pelo Caribe afundou. A moto que havia sobrevivido a pistas africanas, desertos e neve foi parar no fundo do oceano.
Segundo o relato publicado pela Grit & Dust, uma equipe foi mobilizada para a busca. Dois dias depois, a ZX-6R foi localizada no leito marinho e içada até a superfície.
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A recuperação e a decisão de seguir
Em vez de decretar perda total ou abandonar o projeto, Toni Moles realizou uma limpeza minuciosa, desoxidação do motor e restauração mecânica completa, fazendo o propulsor de quatro cilindros voltar a funcionar. Toni não trocou a Débora por um modelo mais adequado para viagens longas. Manteve a mesma ZX-6R com a qual viaja desde os 19 anos.
Com mais de 250.000 km registrados e 90 países no rastro, a Kawasaki Ninja ZX-6R de Toni Moles deixou de ser apenas uma esportiva japonesa de 2004. Depois de terra, gelo, areia e mar, a próxima etapa ainda está por vir, com a mesma moto.



